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Prevenção e Tratamento para Dependentes Quimicos
Sabe-se que a droga acompanha a evolução histórica da humanidade, que as sociedades humanas sempre conviveram com algum tipo de substância psico-ativas, e continuarão a conviver, sejam elas ilícitas ou lícitas, isto porque elas não desaparecerão, e que o consumo abusivo acarreta problemas diversos, pessoais e de repercussão na sociedade, implicações perigosas, que pedem soluções de natureza preventiva. Ao se fazer prevenção ao uso indevido de drogas, se estará fazendo, também, prevenção contra a delinqüência, comportamentos sexuais de risco, acidentes, problemas sociais diversos, problemas de saúde física e mental e etc... A amplitude do fenômeno droga, a complexidade da drogadição, impossibilita ações preventivas que abranjam todas as populações, por isso as estratégias de intervenção devem considerar a especificidade da população alvo, as características da região, e o momento histórico.

FATORES DE RISCO E DE PROTEÇÃO ASSOCIADOS COM O USO DE DROGAS
Elementos na vida de uma pessoa que, quando presente, não provocam, mas aumentam a probabilidade de uso de substâncias psico-ativas, são considerados fatores de risco enquanto que fatores de proteção não seriam necessariamente o inverso, mas elementos que quando presentes diminuem a probabilidade do uso de drogas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS):
Estarão mais propensos ao uso de drogas as pessoas:
- Com saúde deficiente
- Com personalidade vulnerável ou mal integrada
- Insatisfeitas com a qualidade de vida
- Sem informações adequadas sobre as drogas e seus efeitos
- Com fácil acesso às drogas
Correrão menos riscos as pessoas:
- Com boa saúde
- Bem integradas consigo mesmas, na família e na sociedade.
- Com qualidade de vida
- Bem informadas
- Com difícil acesso às drogas

PREVENÇÃO
Não só a área de saúde, mas as populações de várias sociedades, ao longo da história se utilizaram métodos diversos, como ações preventivas, para reduzir a incidência de doenças, e só com o avanço do conhecimento médico é que se resolveu o conhecimento científico de uma intervenção preventiva. No campo das drogas, a busca de soluções efetivas na área de prevenção tem sido uma grande preocupação.
Dispõe-se no momento de muitas informações sobre programas de prevenção desde as repressivas, até as educacionais, o que permite que se avalie o provável resultado de cada programa, o que poderá ser mais ou menos eficaz para a população alvo. Idealmente a prevenção deveria ser feita antes do problema ocorrer, evitando o primeiro uso, ou mesmo a probabilidade do abuso. Os programas de prevenção podem ser dirigidos para uma população em geral, para um determinado grupo da população geral, como também para indivíduos que fizeram ou fazem uso de drogas. A escola é um lugar que oferece a oportunidade de se atingir um número grande de indivíduos, inclusive adolescentes que estão vivendo uma fase de grandes transformações, ansiosos de viver o presente, o que pode torna-los vulneráveis a situações de risco, poderão ser identificados também alunos com problemas de comportamento, de aprendizagem. Educadores poderão chegar antes que o problema se instale, para isto precisarão fazer um “Raio X” da escola, da região, da comunidade como um todo, conhecer seus alunos, saber sobre o que pensam, o que sentem, o que aspiram, suas famílias, quem são os pais de seus alunos, se convivem no universo familiar com fatores de risco ou de proteção.
Portanto, através de ações preventivas bem planejadas, com a proposta de fortalecer as normas sociais contra o uso de drogas, na família, na escola e na comunidade, poder-se-á diagnosticar os que já estão se relacionando com a droga, e que poderão ser orientados a parar, sendo encaminhados para recursos terapêuticos especializados, sem utilizar para isto de atividades preconceituosas.

PRINCÍPIOS BÁSICOS DE PREVENÇÃO DO USO DE SUBSTÂNCIAS
Programas de Prevenção:
I. Devem ser planejados para facilitar os fatores de proteção e reverter ou reduzir os fatores de risco conhecidos;
II. Devem dirigir-se a todas as formas de drogas de abuso, licitas e ilícitas, incluindo álcool, tabaco, solvente, (medicamentos em geral e etc);
III. Devem promover atividades sociais e saudáveis, além de atitudes contrárias as drogas;
IV. Quando dirigidos ao público adolescente, devem incluir métodos interativos (como discussões em grupo), ao invés de técnicas didáticas convencionais (como palestras) isoladamente;
V. Devem incluir os pais ou responsáveis;
VI. Devem ser de longo prazo;
VII. Quando dirigidos às famílias, têm maior impacto do que estratégias voltadas aos pais ou jovens isoladamente;
VIII. Devem fortalecer as normas sociais contra o uso de drogas em diversos contextos, tas como a família, a escola e a comunidade;
IX. Devem ser adaptados para entender à natureza específica do problema com drogas da comunidade local;
X. Devem ser mais intensivos se os riscos para o uso de substancias forem mais elevados;
XI. Devem ser específicos para diferentes idades e culturas.

ABORDAGEM FOCO MÉTODOS
Disseminação
de informação Aumentar o conhecimento sobre drogas, seus efeitos e conseqüências do uso; promover atitudes contrárias ao uso de drogas.
Palestras, discussões, apresentações em áudio ou vídeo, pôsteres, panfletos.
Educação afetiva
Aumentar auto-estima, tomada de decisões responsáveis, desenvolvimento interpessoal; geralmente, inclui pouca ou nenhuma informação sobre drogas.
Palestras, discussões, atividades experimentais, exercícios em grupo de resolução de problemas.
Alternativas Aumentar auto-estima, autoconfiança, fornecer várias alternativas ao uso de drogas, reduzir sensações de aborrecimento ou de alienação. Organização de centros de convivência, atividades recreativas, participação em projetos de serviços comunitários, treinamento vocacional.
Habilidades
de Resistência Aumentar a consciência da influência social para fumar, beber ou usar drogas, desenvolver habilidades para resistir a influências para o uso de substâncias, aumentar o conhecimento sobre conseqüências negativas imediatas, estabelecer normas de não uso de substâncias.
Discussões em classe, treinamento de habilidades de resistência, dramatização, atividades com monitores.
Treinamento de habilidades pessoais e sociais Promover capacidade de tomar decisões, mudança comportamental individual, redução de ansiedade, habilidades de comunicação, social e assertividade, aplicação de habilidades de resistência genéricas para influências para o uso de substâncias.
Discussões em classe, treinamento cognitivo-comportamental (instrução, demonstração, prática, avaliação devolutiva e reforço)

NÍVEIS DE PREVENÇÃO
Em se tratando de níveis de prevenção, tem-se também que considerar os diferentes estágios de uso da droga, que impõe a criação de programas que atendem seus objetivos. O ser humano, em algum momento da sua vida, pode experimentar a droga, mas a partir do momento que muda a situação que o estimulou a experimentar, pode deixar de usar, não estabelecendo um vínculo maior com ela, só a experiência. Outros farão uso quando a droga estiver disponível e o momento se fizer favorável, não existindo uma procura ativa, sendo que o conjunto que caracteriza uma vida social é mantido.
Enquanto que outros, apesar de ainda manterem um uso controlado, vivenciam alterações na sua qualidade de vida, nas suas relações, sendo à busca da droga sistemática. Enquanto outros passarão a depender do efeito, mantendo um vínculo primitivo com a droga, todos os seus esforços são para consegui-la, anulando os demais interesses de sua vida, instalando-se a dependência.
A – Prevenção Primária:
1) É constituída de ações antecipatórias que visam evitar ocorrências de situações de risco, que podem conduzir ao uso de drogas;
2) Impedir ou retardar o primeiro uso; e também diminuir o uso esporádico, impedindo que se produza um consumo problemático;
3) Suas ações visam informar, sensibilizar, conscientizar indivíduos de uma determinada comunidade (população-alvo), para que façam escolhas responsáveis, que tenham atitudes saudáveis, que apresentem novas atitudes, que evitem fatores que aumentem o risco de consumir drogas.
4) Compreendem o individuo e também o social, uma vez que dizem respeito à produção, comercialização, controle de vendas, divulgação e sanções a comportamento inadequado;
5) Áreas de atuação: educação, saúde, trabalho, justiça e segurança;
6) População-alvo: O indivíduo e o meio-ambiente imediato.
B – Prevenção Secundária:
1) Conjunto de ações que visam diminuir o uso regular de drogas a prevalência, reduzindo a evolução para chegar antes da dependência;
2) Ações diretas (individualmente ou em grupo) sobre a pessoa, para influencias atitudes, modificar comportamentos, desenvolver habilidades, para reduzir a necessidade de recorrer a drogas e gerenciar a vida pessoal, aumentando seu nível de satisfação;
3) A intervenção clínica, fundamentada no diagnóstico precoce e no tratamento eficaz do uso e/ou abuso de drogas;
4) Propõe campanhas dirigidas à população em geral, divulgando os sinais e sintomas do uso de drogas, como também programas educacionais para profissionais e população, ara que possam persuadir usuários de drogas a procurar tratamento;
5) Tratamento imediato, se possível, para indivíduos e famílias, sendo que não há um tratamento padrão;
6) A Prevenção Secundária também inclui a prevenção primária (prevenção-intervenção)
7) População-alvo: Indivíduos que apresentam sinais de uso problemático, capaz de acarretar dependência;
C – Prevenção Terciária:
1) Reabilitação Bio-Psico-Social dos dependentes de drogas, através de diferentes alternativas terapêuticas, buscando a reintegração do indivíduo a família e na sociedade;
2) Ações que envolvem o tratamento e a reabilitação dos dependentes de drogas, com o objetivo de reduzir, sempre que possível, os efeitos residuais causados pela dependência, e assim devolve-lo ao convívio social;
3) Ações que se estendem à família e ao grupo social que rodeia o dependente, com o objetivo de faze-los ter uma visão justa e humana do quadro dependência;
4) Combater as seqüelas sociais do dependente, que acabam por ser tão graves quanto a físicas e psicológicas (requer tratamento especializado médico, psiquiátrico, psicológico);
5) População-alvo: Dependente Químico, sua família, seu ambiente, todos precisam ser envolvidos na proposta de reabilitação, com mudanças no Estilo de Vida.
Conclusão
Se a melhor postura frente à droga é prevenir, se faz importante que a sociedade como um todo repense seu papel, que abandone a linha terrorista, não se deixe influenciar pelo poder da mídia existente que preconiza o uso de substâncias químicas, que as autoridades sejam flexíveis, nem liberal demais, nem autoritária demais, que ofereça modelos sadios, incentivando as boas relações entre pessoas, que valorize a vida:
Um programa de prevenção poderá beneficiar indivíduos de uma população, que não ainda não tiveram experiências relacionadas ao uso de drogas, enquanto outros desta mesma população, quando abordados pelo programa, já poderão ter feito uso, para este se fará necessário o encaminhamento para um tratamento ambulatorial que venha a reduzir o uso, impedindo a evolução para estágios mais comprometidos, conexão entre prevenção e tratamento. Instalada a dependência, o indivíduo precisará ser atendido por um programa de recuperação, que melhor atenda suas necessidades e as de sua família, intervenção clínica ou comunidades terapêuticas, e que o prepare para sua Reinserção Social.

MODELOS DE TRATAMENTO EXISTENTES
Unidades Básicas de Saúde:
As unidades básicas de saúde são recursos primários de assistência oferecidos por unidades próximas a residência dos usuários. Dentre essas unidades destacam-se os postos ou centros de saúde e os programas de saúde de família e de agentes comunitários onde atuam profissionais de nível médio e superior em ações de educação para a saúde e de integração com grupos de auto ajuda.
A capacitação dos profissionais que atuam neste nível básico de saúde é fundamental, pois eles respondem pelo diagnóstico precoce, pela informação, pela orientação do paciente e pelo encaminhamento adequado da população que precisa de atendimento.
Hospitais Gerais:
Os hospitais gerais são os locais mais adequados para os quadros de intoxicações graves, quadros de psiquiatria aguda e estados de abstinência. Nesses casos os procedimentos de desintoxicação são realizados por internações em períodos inferiores há sete dias, acompanhado do tratamento das complicações clinicas com assistência para as especialidades médicas – como psiquiatria, gastroenterologia, neurologia – através de uma equipe multidisciplinar.
Serviços ambulatoriais:
Oferecem atendimento individual e em grupo, por meio de consultas medicas de psicoterapia, grupos operativos e atendimentos familiares. Os tratamentos ambulatoriais são os mais indicados, tanto para pacientes como para equipe de profissionais, tendo em vista que proporcionam uma maior integração das famílias e da comunidade reduzindo assim os custos dos processos de internação.
Unidades Especializadas:
As unidades especializadas atendem no âmbito do sistema único de saúde SUS, funcionando em algumas unidades da Federação em hospitais psiquiátricos e, em menor numero, em hospitais gerais e universitários. Essas unidades possuem equipes técnicas compostas por medico clinico, psiquiatra, enfermeiro, auxiliar de enfermagem, psicóloga assistente social e um profissional ligado à área de terapias ocupacionais.
Clínicas Especializadas:
As clínicas especializadas funcionam em ambientes particulares de saúde, podendo ser filantrópicas ou conveniadas aos sistemas de saúde existentes, estas clinicas oferecem internações de curta e media duração. Em alguns casos prestam também um serviço ambulatorial.
O tratamento é orientado para a recuperação do paciente, contando com uma equipe técnica composta por diferentes profissionais. Muitas vezes conta com a participação de um consultor ou conselheiro, que na maioria das vezes é um dependente químico em recuperação, treinado para exercer um papel direto na técnica de ajuda ao paciente.

Comunidades Terapêuticas:
As comunidades terapêuticas são unidades de tratamento que surgiram da necessidade de uma complementação ou mesmo uma opção de tratamento, dado ao fato de serem estabelecidas em áreas rurais proporcionam aos seus residentes uma completa recuperação física e emocional.
Em geral as Comunidades Terapêuticas servem também como unidades de desintoxicação medicamentosa. Em sua grande maioria são compostas por uma equipe multidisciplinar, ou seja, formada de ex-dependentes, orientadores espirituais, consultores, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais. Seus tratamentos podem variar de quatro meses a um ano.

FORMAS DE TRATAMENTO
Terapia farmacológica:
A terapia farmacológica é uma intervenção centrada no uso de medicamentos, em muitos casos, a utilização constitui em um importante instrumento de ajuda.
- Reverter os efeitos da intoxicação aguda:
- Diminuir os efeitos físicos causados pela Síndrome de Abstinência:
- Controlar a compulsão pelo uso de substancias, ou mesmo pela síndrome de dependência:
- Tratar transtornos psiquiátricos induzidos pela intoxicação aguda.
Terapia Cognitiva Comportamental:
A terapia cognitiva foi desenvolvida por Aaron T. Back, na Universidade da Pensilvânia no inicio da década de 60, tendo com base uma psicoterapia breve, estruturada, orientada ao presente, para depressão, direcionada a resolver problemas atuais e a modificar os pensamentos e os comportamentos disfuncionais. A Terapia Cognitiva Comportamental baseia-se em uma formulação continua do paciente em perceber a natureza de seus problemas. Requer uma aliança segura entre o terapeuta e o paciente.
Entrevista Motivacional:
O conceito original de Entrevista Motivacional foi desenvolvido a partir de uma série de estudos de psicólogos Noruegueses. A Entrevista Motivacional é um meio particular de ajudar os pacientes a reconhecer, ou seja, identificar, algo que se diz respeito de seus problemas presentes ou potenciais. Ela é particularmente útil com pessoas que relutam em mudar e que são ambivalentes quanto à mudança.
Um dos fatores mais positivos da Entrevista Motivacional é de que, o terapeuta não assume um papel autoritário ou mesmo de o especialista, as responsabilidades são passadas para o paciente e este por sua vez sente-se motivado em ser responsável pelas suas mudanças.
Grupos de Auto Ajuda, ou Ajuda Mútua:
Os grupos de Auto Ajuda (Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos, Amor Exigente, Fumantes Anônimos, Etc.) são recursos muito utilizados dentro da comunidade, mas não se tratam de modelos terapêuticos e sim de uma nova filosofia de vida ou programa de recuperação, onde a base situa-se nos 12 Passos e 12 Tradições. Estes passos propõem de forma objetiva e simples, regras fundamentais a serem seguidas para se atingir a abstinência e as mudanças de hábitos e estilos de vida.
Prevenção à Recaída:
A Prevenção de Recaída PR é um programa de auto manejo que visa melhorar o estagia de manutenção do processo de mudança de hábitos. O objetivo da PR é ensinar os indivíduos que tentam mudar seu comportamento a prever e lidar com o problema da recaída. Uma vez que o modelo PR inclui componentes tanto comportamentais quanto cognitivos, é similar a outras abordagens cognitivo comportamental desenvolvido nos últimos anos como resultado de uma extensão dos programas de terapia comportamental tradicional.
Redução de Danos:
Redução de danos pode ser visto com um modelo de trabalho e não de tratamento, que visa de uma maneira geral preservar ou mesmo resgatar pessoas vitimadas ou não de qualquer enfermidade. Para podermos utilizar uma abordagem de redução de danos para substâncias psico-ativas, devemos considerar várias questões.
Embora uma meta de redução de danos de uso controlado ou moderado possa ser possível para algumas pessoas, ela pode não ser apropriada para todos os casos. Algumas pessoas pode haver tido um histórico tão problemático com o uso de uma substância particular que evitar qualquer uso de substâncias pode ser a melhor opção para elas. Além disso, para algumas substâncias esta claro que qualquer uso pode ser tanto perigoso quanto ilegal. Outras tentativas de redução de danos podem constituir em passos intermediários em direção a alguma outra meta desejada.

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